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Matéria publicada no Diário do Comércio

Jovens que se transformam em líderes

Escola Vida leva ao exercício da cidadania, fazendo dos adolescentes líderes em suas comunidades.

André Alves - 23/12/2008 - 19h12

Andrei Bonamin/Luz

Terezinha OyadomariTerezinha coordena o Escola Vida: "Não aplicamos provas. Nosso objetivo não é reprovar ninguém"

Levar os jovens ao exercício da cidadania por meio do resgate da auto-estima, da promoção do seu amadurecimento nas relações familiares e sociais e dar-lhes consciência das próprias potencialidades, de modo a torná-los autênticos líderes nas comunidades em que vivem e atuam. Esses são os principais objetivos do Projeto Escola Vida, desenvolvido pela Fundação ACL.

Desde 1999, a iniciativa vem beneficiando alunos da rede pública estadual, da 5ª série do ensino fundamental ao médio. Atualmente, o projeto é desenvolvido na Escola Estadual Dra. Iracema Bello Orichio, na cidade de Embu, na Escola Estadual Profa. Heloísa Carneiro, no Jardim Jabaquara, na Escola Estadual Maestro Fabiano Lozano, na Vila Mariana, e na Escola Estadual Profa. Helena Lemmi, no bairro da Saúde.

"Contamos única e exclusivamente com a dedicação de um grupo de professores e auxiliares voluntários mantidos com recursos obtidos através de doações e ações de caráter beneficente", disse Armindo Melo Júnior, membro do Conselho Consultivo da Fundação ACL.

 

Andrei Bonamin/Luz

Marcos quer ficar no projeto até o fim do ensino médio.

Metodologia – No Projeto Escola Vida, a adesão dos alunos é espontânea e as aulas, inteiramente gratuitas, são ministradas aos sábados pela manhã. "Ensinamos e estimulamos os alunos a terem umobjetivo na vida. Como são crianças carentes, muitos não contam com uma boa estrutura familiar. Muitos pais invalidam seus filhos, não percebendo que eles têm um grande potencial", afirmou Terezinha Oyadomari, coordenadora do Escola Vida na escola Heloísa Carneiro, a pioneira dentro do projeto, desde 1999. Atualmente, 240 dos 1,2 mil alunos da escola estão inscritos no projeto.


O conteúdo das aulas aborda diversos temas. Por meio de fábulas, textos reflexivos, jogos educativos e outros meios, os alunos aprendem como conviver em sociedade, como trabalhar em grupo, atualidades, relacionamento com a família, entre outros assuntos. "Não aplicamos provas. Nosso objetivo não é reprovar ninguém. Há apenas um controle de freqüência e, no final do curso, o aluno recebe um certificado", ressaltou Terezinha.

Satisfação – Quando indagados por que passar as manhãs de sábado na escola, quando poderiam estar em casa dormindo ou brincando, os alunos são enfáticos: "As aulas estão ajudando no relacionamento com minha família e até mesmo no colégio. Em vez de estar na rua, estou estudando assuntos que posso aplicar no meu dia-a-dia", contou o estudante Lucas de Oliveira, 16 anos.

A mesma opinião tem o seu colega de classe Marcos Vinícios Nicolete, também com 16 anos. "Gosto dos temas das aulas, principalmente as que discutem sobre os nossos medos. Pretendo continuar no projeto até o final do ensino médio".

Já para Rafaela Cristina, 12 anos, "as aulas estão servindo para aprender a fazer redação e a ler textos. Tenho todo o apoio dos meus pais".

De acordo com Flávio Costa, membro do Conselho Consultivo da Fundação ACL, uma das metas é expandir o projeto para outras escolas estaduais em 2009. A Fundação ACL, criada em 1985, é uma instituição beneficente e sem caráter lucrativo e tem por missão formar cidadãos vencedores e líderes atuantes em prol da sociedade.

 

 

 

 

Entrevista para o Site Voluntários Itaú Unibanco


Do Movimento Escoteiro à Escola Vida.

A relação entre quem ajuda e quem é ajudado às vezes se confunde, mas a rapidez do resultado de uma ação é o que mais motiva Tara Sousa, Trainee no CEIC há 3 anos. A voluntária, que dá aulas para crianças da 5ª série do Projeto Escola Viva, da Fundação ACL, leva consigo as lições que aprender quando ainda era criança e participava do Movimento Escoteiro. Leia a entrevista com Tara e saiba mais sobre o seu trabalho.

Há quanto tempo é funcionária do Itaú?

Tara Sousa - Ingressei em setembro de 2006. Portanto, completarei neste ano 3 anos de carreira dentro do Banco.


Qual foi a sua primeira experiência com o voluntariado?

Tara dá aula de origami

Tara Sousa -  Desde criança estive envolvida com atividades voluntárias e entrei no Movimento Escoteiro aos 11 anos. Lá somos incentivados, a todo instante, a participar de atividades que visam beneficiar comunidades. Portanto, desde esta idade tive a oportunidade de participar de eventos, tais como visita a instituições de crianças e idosos e comunidades carentes.
Até hoje procuro estar envolvida com alguma atividade de voluntariado porque sei da importância deste tipo de atividade e do enorme retorno que temos ao poder compartilhar algo que temos com outras pessoas. A tudo isso, somo a gratidão que sinto ao perceber que estou sendo útil, fazendo a diferença e aumentando o bem estar, pelo menos por alguns instantes de uma ou mais pessoas.


Quais atividades desenvolve atualmente?

Tara Sousa -  Hoje estou retomando o meu trabalho junto ao Projeto Escola Vida da Fundação ACL. O projeto tem como objetivo levar os jovens ao exercício da cidadania por meio do resgate da auto-estima, da promoção do seu amadurecimento nas relações familiares e sociais e dar-lhes consciência das próprias potencialidades, de modo a torná-los autênticos líderes nas comunidades em que vivem e atuam. 


Como é o seu trabalho na Fundação ACL?

Tara Sousa -  Atuo como professora para jovens da 5ª série do Ensino Fundamental. Temos aulas durante os sábados do período escolar. Nestes encontros fazemos leitura de contos e fábulas e, também aplicamos jogos educativos com o objetivo de facilitar o aprendizado da convivência em sociedade, do trabalho em grupo e do relacionamento familiar. Todas as atividades são realizadas em grupo. Portanto, os alunos têm a chance de compartilhar suas percepções e construir seus conceitos e aprendizados de forma coletiva, a partir de tudo que foi discutido no próprio grupo.


Você indicou a ONG para receber os recursos da coleta seletiva e foi uma das selecionadas. Qual a importância de participar de uma ação em prol do meio ambiente e da sociedade?

Tara Sousa -  É bárbaro ter a oportunidade de participar de ações como a do Projeto Escola Vida! Eu consigo visualizar, ao longo do ano, o desenvolvimento das crianças e o brilho nos olhos delas ao final das atividades. Com as festas de fim de ano, promovemos a entrega de certificados de participação e buscamos entregar alguma lembrança para eles (neste último ano, entregamos 1 livro e 1 caderno) e promover um lanche com todos os envolvidos, inclusive os pais. É muito bom receber um “obrigada” deles e de seus pais e ouvir depoimentos de que houve uma melhoria nas relações em casa ou nas notas da escola!  Essas vivências são únicas e me ajudam a fortalecer a crença de que é possível promover a melhoria no bem estar das nossas comunidades.


É igualmente especial ver que o Projeto foi reconhecido por uma instituição a qual admiro tanto, o Itaú Social. Os recursos foram muito bem-vindos. Eles foram aplicados na compra de computadores para realizarmos o trabalho administrativo do Projeto bem como na compra de merenda para os jovens que são atendidos  nas aulas de sábado.

 

Entrega da premiação


Qual a sua experiência mais marcante dentro do voluntariado?

Tara Sousa -  Acredito que a entrega dos certificados ao final do Projeto Escola Vida foi um dos momentos mais especiais. É incrível sentir toda a emoção do evento e ver que de fato o trabalho realizado surtiu efeito não só nas crianças, mas em toda a sua família.


O que o motiva a ser voluntária?

Tara Sousa -  A maior motivação é perceber a relação direta entre a minha ação e o resultado dela. No trabalho geralmente levamos um tempo maior para perceber o impacto do nosso empenho. Nas atividades de voluntariado, percebemos imediatamente o resultado que nossa ação gerou para uma ou mais pessoas. Ver que pequenas ações podem gerar um impacto positivo enorme é a maior razão que me faz ser voluntária.


De que forma é possível incentivar outras pessoas, dentro e fora da empresa, a participarem de ações voluntárias?

Tara Sousa -  Nada é mais impactante que o exemplo e as conversas que podemos dar e ter com as pessoas. Quando o outro percebe a sua empolgação e entusiasmo, a vontade de experimentar torna-se inevitável!  É como um curso que fazemos que gostamos muito. Naturalmente, começamos a divulgá-lo e as pessoas que estão conosco passam a se interessar porque percebem que aquela atividade gerou um impacto positivo.
Para que isso aconteça mais dentro do Itaú, acredito que poderiam existir “Feirões do Voluntário” nas unidades do banco (CEIC, CTO, CAT) nos períodos de almoço para que os voluntários pudessem expor e compartilhar com os interessados as experiências vividas. Isso, certamente, aguçaria a curiosidade e mostraria mais uma vez, as inúmeras possibilidades existentes para a realização de atividades voluntárias.




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